top of page
fortunacritica.gif

FORTUNA CRÍTICA

Empenhado, a partir dos primeiros anos da década de 1990, em estudar o problema da circulação da palavra para além da oposição dicotômica código impresso/canção, com o fim de desenvolver e aprimorar o meu próprio projeto de “poesia expandida”, peço licença para discorrer um pouco sobre o modo como me relaciono com a chamada performance poética. Faço-o não só por vaidade mas por entender que o depoimento dos/as artistas, neste país em que os donos do poder têm na produção da desmemória uma de suas mais eficazes armas de destruição em massa, pode contribuir para a ampliação e a qualificação de um debate que ainda não faz jus à diversidade e à qualidade do que se processa, entre nós, em termos dessa arte gerada nas zonas de passagem possíveis entre a palavra escrita, a voz, a respiração, o gesto, o movimento, o espaço, a vídeo-projeção, os instrumentos musicais e os objetos sonoros e/ou visuais, a roupa dos performadores e a escuta ativa dos espectadores.

[...]

Em busca de uma poética da performance

Ricardo Aleixo
Revista Cult - 05/01/2017

Em Sonhei com o anjo da guarda o resto da noite (Todavia), Ricardo Aleixo recria suas lembranças entre análises, críticas e reflexões para falar de sua trajetória artística e do passado-presente do país.

 

Por que quis escrever suas memórias em prosa?


Pareceu pertinente contar minha história, porque é uma história muito improvável de um adolescente de uma família negra riquíssima (só não tinha dinheiro), que dominava as quatro tecnologias ensinadas para mim e para minha irmã: a leitura, a escrita, a escuta e a inter-relação entre os códigos. Não é mais só a minha história. É propício estarmos hoje falando de autoria negra e de uma demanda, como diz o Sílvio Almeida, não de reconstrução de um país, mas de construção.

[...]

A ‘vidapoesia’ do poeta, ‘performer’, músico e artista visual mineiro é contada em seu recém-lançado livro de memórias

Iara Biderman
Revista Quatro Cinco Um - 01/12/2022

O artigo apresenta uma leitura do poema “O peixe não segura a mão de ninguém”, publicado por Ricardo Aleixo no livro Modelos vivos (2010). Como se trata de um poema preocupado com a taxonomia dos seres vivos, a leitura examina como a categoria do humano depende da hierarquização dos seres. Revisitando a relação entre a noção de humano e o racismo, o texto entrevê, nesse e em alguns outros poemas de Aleixo, uma apreciação crítica do humanismo. O trabalho termina com leituras de três textos críticos – de Sylvia Wynter, Zakiyyah Iman Jackson e Kate Manne – que, de diferentes maneiras, tensionam o pensamento humanista, em particular as hipóteses de que a exclusão do outro da categoria do humano seria condição necessária para a prática da violência e que, consequentemente, a inclusão na humanidade seria um passo indispensável e confiável em direção ao fim da violência racista.

[...]

Um ano entre os humanos: Ricardo Aleixo e a etnografia do humanismo

Marcos Piason Natali
Revista Leitura contemporânea: visadas analíticas - 21/11/2021
bottom of page